Professor de José Bonifácio recebe prêmio Nota 1.000 em SP

Aos 64 anos, Adelson Green leciona na EE Pedro Brandão dos Reis e está entre os 166 docentes homenageados na região de Rio Preto.
Aos 64 anos, Professor Nota 1.000 mantém a paixão pela sala de aula: ‘Minha maior felicidade é ver um aluno chegar à universidade’

Com 28 anos de atuação na Escola Estadual Pedro Brandão dos Reis, em José Bonifácio, o professor Adelson Green Rodrigues, de 64 anos, foi um dos docentes homenageados pelo Governo de São Paulo durante o 1º Prêmio Professor Nota 1.000. A iniciativa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) reconhece profissionais da rede pública com base no desempenho dos estudantes e na assiduidade em sala de aula.

Adelson integra a lista de 166 educadores condecorados na região administrativa de São José do Rio Preto, área que reuniu o maior contingente de premiados fora da capital e da Grande São Paulo. A entrega das medalhas ocorreu na manhã de segunda-feira (5), conduzida pelo secretário Feder. O evento representou a etapa final do Prêmio Professor Nota 10, ação que celebrou 25 mil docentes em todo o estado. Para definir os mil homenageados finais, a pasta analisou critérios como frequência, avaliações funcionais e as notas dos alunos no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp).

Trajetória e projetos pedagógicos

Natural de Novo Horizonte, Adelson iniciou a rotina de trabalho ainda na infância, quando ajudava na chácara da família cuidando de animais e lavouras. “Nosso sustento vinha dali. Eu não tinha dinheiro para comprar um saco de pipoca no fim de semana”, relata o docente, que encontrou na educação uma nova perspectiva de vida.

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Graduado em história, filosofia e pedagogia, além de mestre em sociologia pela Unesp, ele lecionou por mais de duas décadas em instituições privadas antes de ingressar no ensino público. Aposentado na disciplina de história, Adelson permanece na ativa ministrando aulas de filosofia e sociologia. Ele faz parte de um grupo de 6.492 professores aposentados que continuam exercendo a função na rede estadual, universo composto por cerca de 200 mil profissionais. A idade média dos docentes paulistas é de 47,3 anos entre as mulheres e 45,6 anos entre os homens.

“Dar aula na rede estadual é a concretização de um sonho. Já lecionei por mais de vinte anos na rede particular de ensino, mas é na pública que me realizo”, afirma. O professor destaca os resultados obtidos pelos estudantes da unidade: “Hoje, tenho certeza de que fiz a escolha certa. Sinto-me realizado quando vejo um aluno que estudou na EE Pedro Brandão dos Reis formar-se em medicina; outro ingressar na Unesp; outro trabalhar em uma universidade pública”.

Na escola de José Bonifácio, que integra o Programa Ensino Integral (PEI), Adelson cumpre uma carga de 30 aulas semanais entre matérias da grade comum e disciplinas eletivas voltadas aos vestibulares. Ele também coordena duas atividades temáticas: um curso sobre o combate à violência contra a mulher e outro voltado ao estudo das culturas africanas no Brasil, criado na Semana da Consciência Negra de 2024. A iniciativa levou apresentações de capoeira, maculelê e carimbó para a escola, espaços externos e para a Unidade Regional de Ensino do município.

Sem planos imediatos de deixar as salas de aula, o educador projeta o futuro profissional a médio prazo. “Daqui a seis anos, vou pensar nisso, vai depender das minhas condições físicas. Acredito que o conhecimento proporciona oportunidades, aprovações e melhores condições econômicas”, pontua Adelson, que resume sua motivação no acompanhamento dos jovens: “A maior felicidade é encontrar um ex-aluno e saber que está na universidade”.

Ensino integral na rede estadual

A unidade em que Adelson atua opera com jornada estendida de sete ou nove horas por dia. O modelo de tempo integral abrange atualmente 2.485 escolas e concentra 33% dos mais de 3 milhões de alunos matriculados na rede estadual de São Paulo. O índice supera em oito pontos percentuais a meta de 25% fixada pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Em relação a 2022, o número de estudantes matriculados no formato registrou alta de 19% em 2026, com previsão de abertura de mais 100 mil vagas para o próximo ano letivo.

Com informações de: Agência SP

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