A Apple solicitou à Anatel a reversão da decisão de leiloar a faixa de 6GHz para redes móveis em 2026. A medida, anunciada pela agência após considerar a baixa homologação de equipamentos, marcou um retrocesso em relação à destinação anterior da faixa para serviços não licenciados — base de tecnologias como o Wi-Fi 6E.
Desde 2021, o espectro de 6GHz vinha sendo utilizado por equipamentos de Wi-Fi de última geração, adotados em ambientes como escolas, hospitais e órgãos públicos. Em consulta pública, a Apple argumentou que o retorno ao modelo anterior “garantiria segurança regulatória” e ampliaria os benefícios das tecnologias sem fio avançadas.
A empresa alertou que a mudança poderá impactar economicamente diversos setores, gerar instabilidade regulatória e elevar custos com infraestrutura, já que muitas instituições teriam de substituir ou complementar seus equipamentos atuais.
Além disso, a Apple destacou o crescimento do uso do espectro não licenciado e o papel central do Wi-Fi no acesso à internet, inclusive em áreas como cidades inteligentes, telemedicina e automação industrial.
O posicionamento da companhia foi reforçado pelo Information Technology Industry Council (ITI), que reúne gigantes como Amazon, Google, Meta, Microsoft e Cisco. O grupo também defende o cancelamento do leilão, alegando que a banda de 6GHz ainda não possui equipamentos móveis amplamente disponíveis, ao contrário das soluções Wi-Fi já em uso.
Empresas do setor de satélites também demonstraram preocupação. A Globalstar, parceira da Apple na oferta de conectividade via satélite nos iPhones, pediu à Anatel o adiamento do leilão para depois de 2032. A operadora utiliza parte da faixa de 6GHz para transmissão de sinais e teme interferências que afetem o funcionamento de recursos emergenciais.
A Viastat e entidades como a Abrasat também manifestaram oposição ao leilão imediato, pedindo mais clareza nas regras para proteger serviços que dependem de satélites, como comunicação e aviação.
Curiosamente, até as principais operadoras de telefonia móvel do Brasil — Claro, TIM e Vivo — defenderam o adiamento do leilão para após 2030, alegando que a realização em 2026 poderia colidir com os investimentos já em andamento na implementação do 5G.
Crédito:
Com informações de Teletime e Mobile Time.










