Os casos de câncer colorretal em pacientes jovens mais que dobraram nos últimos quatro anos no Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto (SP). Em 2020, foram registrados 19 casos da doença em pessoas entre 40 e 49 anos, número que chegou a 38 em 2024. O crescimento foi contínuo: 28 registros em 2021, 35 em 2022 e 29 em 2023.
A doença voltou a ganhar destaque após a morte da cantora Preta Gil, em 20 de julho, aos 50 anos. Diagnosticada em 2023, a artista passou por cirurgias, radioterapia e tratamento experimental nos Estados Unidos, mas não resistiu às complicações do câncer.
Segundo a médica coloproctologista Larissa Furlan, do HB, fatores como obesidade e hábitos de vida pouco saudáveis estão entre os principais responsáveis pela mudança no perfil dos pacientes. “Nos últimos anos, notamos um aumento do número de casos em pessoas com menos de 50 anos. Por isso, a recomendação é que indivíduos a partir dos 45 anos, especialmente com histórico familiar, façam exames preventivos”, explica.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimam 45 mil novos casos da doença no Brasil em 2025, podendo chegar a 70 mil até 2027.
Em Rio Preto, grande parte dos pacientes diagnosticados pelo HB é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Muitos só descobrem a doença em estágio avançado, quando o tratamento exige intervenções mais invasivas, como a bolsa de colostomia.
Um homem de 59 anos, que pediu para não ser identificado, relatou ter demorado a procurar ajuda. Ele só buscou atendimento após notar sangramento nas evacuações. “Se tivesse seguido o protocolo de prevenção, teria removido a lesão já na colonoscopia”, disse.
De acordo com Furlan, o câncer colorretal é silencioso no início e muitas vezes surge de pólipos que evoluem para tumores malignos. Os sinais de alerta incluem sangramento nas fezes, dor abdominal, alteração no hábito intestinal e anemia detectada em exames de sangue.
Após a morte de Preta Gil, o Hospital de Base registrou aumento na procura por exames preventivos.
Apoio aos pacientes
Além do tratamento médico, pacientes ostomizados contam com o suporte da Associação dos Ostomizados de Rio Preto e Região (AORP), fundada em 1997. A entidade oferece atendimento gratuito com psicólogos, nutricionistas, estomaterapeutas e assistentes sociais, além de encontros em grupo para troca de experiências.
“Nosso objetivo é acolher e mostrar que é possível manter uma vida social saudável. Somos considerados deficientes físicos, mas nossa deficiência é invisível. A AORP existe para que ninguém passe por isso sozinho”, afirma a presidente da associação, Sioneia Garcia.
A AORP funciona de segunda a quinta-feira, das 9h às 16h, e às sextas-feiras das 9h às 14h, na Rua Jorge Tibiriçá, 2235, bairro Boa Vista, em Rio Preto.
Com informações do G1










