As contas do setor público consolidado — que inclui União, estados, municípios e estatais — fecharam fevereiro de 2025 com déficit primário de R$ 18,97 bilhões, segundo dados divulgados nesta terça-feira (8) pelo Banco Central. O valor representa melhora em relação ao mesmo mês de 2024, quando o déficit foi de R$ 48,69 bilhões.
A melhora foi impulsionada por aumento nas receitas e queda nas despesas, especialmente no Governo Central, que mesmo com resultado negativo, apresentou déficit menor: R$ 28,51 bilhões ante R$ 57,82 bilhões no ano anterior. Os governos estaduais e municipais, por sua vez, registraram superávit conjunto de R$ 9,24 bilhões, e as empresas estatais também contribuíram com saldo positivo de R$ 299 milhões.
Apesar do alívio primário, os gastos com juros da dívida pública subiram para R$ 78,25 bilhões, mais que o dobro dos R$ 40,35 bilhões registrados em janeiro. O aumento foi impulsionado por variações cambiais, crescimento da dívida e mais dias úteis no mês. Com isso, o déficit nominal (que inclui os juros) ficou em R$ 97,22 bilhões em fevereiro.
Nos últimos 12 meses, o déficit nominal acumulado é de R$ 939,83 bilhões, o equivalente a 7,91% do PIB, um número que preocupa os analistas e pode impactar a percepção de risco do Brasil no cenário internacional.
A dívida líquida do setor público fechou fevereiro em R$ 7,29 trilhões, o que corresponde a 61,4% do PIB. Já a dívida bruta chegou a R$ 9,04 trilhões, ou 76,2% do PIB, registrando leve alta em relação ao mês anterior.
O desempenho fiscal de fevereiro mostra sinais de recuperação nas contas públicas, mas os altos gastos com juros e o crescimento da dívida ainda impõem desafios para a política econômica do governo.










