Denúncia contra ex-bispo de Catanduva investigado por estuprar e assediar padre é arquivada pelo Ministério Público

Segundo o promotor, embora tenha havido relatos da vítima e confirmações das relações sexuais por parte do ex-bispo Dom Valdir Mamede, não houve provas de que ocorreu violência, ameaça ou coerção. À época dos fatos, o inquérito policial foi instaurado em Catanduva (SP).

A denúncia contra um ex-bispo de Catanduva (SP) investigado por estuprar, assediar e importunar sexualmente um padre, à época com 31 anos, foi arquivada pelo Ministério Público (MP).

A decisão de arquivar o inquérito policial foi do promotor de Justiça Paulo Cesar Neuber Deligi, da comarca de Catanduva, em 27 de fevereiro deste ano.

Segundo o promotor, embora tenha havido relatos da vítima e confirmações das relações sexuais por parte do ex-bispo Dom Valdir Mamede, não houve provas de que ocorreu violência, ameaça ou coerção.

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O crime aconteceu em 2023, mas o boletim de ocorrência foi registrado no dia 22 de março de 2024.

Conforme o MP, como a vítima era maior de 18 anos à época dos fatos e os laudos médicos não indicaram sinais de violência, não foi possível configurar o caso como estupro ou assédio sexual.

No documento, o promotor pontuou que reconhecia as consequências psicológicas relatadas pelo padre, mas disse que a dúvida em relação ao consentimento o impediu de ajuizar uma ação penal e formalizar a denúncia à Justiça.

Inquérito policial

O crime aconteceu em 2023, mas o boletim de ocorrência foi registrado no dia 22 de março de 2024. O inquérito policial foi instaurado pouco tempo depois.

À época, o padre que denunciou os crimes afirmou que Dom Valdir Mamede, então bispo da Diocese de Catanduva, no noroeste paulista, o agarrou e o beijou à força, além de cometer a violência sexual. Mamede chegou a renunciar ao cargo em novembro de 2023.

Segundo a vítima, o crime ocorreu na casa do então bispo, quando o investigado pediu que ele o acompanhasse até o local por estar alcoolizado. Na ocasião, o padre disse que Dom Valdir pediu desculpas, demonstrou-se arrependido e implorou para que ele não contasse o ocorrido a ninguém.

Diocese de Catanduva (SP) — Foto: Reprodução/Google Street View
Diocese de Catanduva (SP) — Foto: Reprodução/Google Street View

A vítima também informou que Dom Valdir ligava por chamada de vídeos, ficava nu e se masturbava em frente à câmera. Em outra oportunidade, o bispo obrigou que a vítima abrisse a porta da casa para que ele entrasse.

Na residência, segundo o padre, o bispo tentou, novamente, abusar sexualmente dele. Porém, dessa vez, conseguiu impedi-lo.

A vítima ainda contou que denunciou o caso à Nunciatura Apostólica, que encarregou Dom Moacir Silva, Arcebispo de Ribeirão Preto (SP), de conduzir uma investigação interna da igreja.

Na ocasião, a Diocese de Catanduva informou que não pactuava com condutas ilícitas praticadas.

Com informações de: G1

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