ExxonMobil vai priorizar a exploração de petróleo na Guiana, ameaçando planos de exportação de gás

ExxonMobil vai priorizar a exploração de petróleo na Guiana, ameaçando planos de exportação de gás

A ExxonMobil informou ao governo da Guiana que precisará reter volumes maiores de gás natural para maximizar a extração de petróleo do que as autoridades locais previam, reduzindo a oferta disponível para projetos de gás natural liquefeito (GNL) e exportação, segundo duas pessoas próximas às negociações.

Diante do alerta, as autoridades guianenses avaliam redimensionar para baixo a capacidade da infraestrutura de GNL planejada ou abrir mão totalmente das vendas externas, priorizando o uso do insumo para geração termelétrica doméstica e plantas petroquímicas.

A eventual desistência ou redução representaria um revés para a ambição do país sul-americano de se posicionar como um polo exportador de energia na região, em um momento em que segue expandindo sua produção de hidrocarbonetos.

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O governo da Guiana vinha pressionando o consórcio operado pela Exxon, responsável pela totalidade da produção de petróleo e gás do país, a disponibilizar o máximo possível de gás à costa, buscando acelerar a monetização de reservas que estão entre as maiores da América do Sul.

No entanto, o grupo liderado pela petrolífera americana, que conta também com a Chevron e a chinesa CNOOC, estima que serão necessários cerca de 2 bilhões de pés cúbicos de gás por dia para reinjeção nos reservatórios.

O procedimento é considerado indispensável pela operadora para manter a pressão dos poços e cumprir as metas de extração de petróleo bruto nos projetos já autorizados pelo governo, relataram as fontes.

A retenção desses volumes restringe o fornecimento para qualquer empreendimento voltado à exportação de gás, incluindo a unidade flutuante de GNL (FLNG) proposta pela americana Fulcrum LNG, selecionada pelo governo em 2024 para desenvolver a infraestrutura do setor no país.

Em vez da capacidade inicial projetada de 6 milhões de toneladas por ano, o empreendimento agora pode ter de iniciar as operações com até 3 milhões de toneladas anuais, deixando eventuais expansões para etapas posteriores, de acordo com as fontes.

A ExxonMobil vem refinando os estudos técnicos para quantificar o potencial de fornecimento dos campos, bem como os custos e os prazos associados. O ministro de Recursos Naturais da Guiana, Vickram Bharrat, já havia cobrado maior clareza da companhia sobre os volumes disponíveis no início deste ano, mas evitou comentar o andamento das conversas nesta semana.

A indefinição sobre o destino do gás remanescente tem gerado frustração entre potenciais investidores. Segundo interlocutores, a redução do porte do terminal de GNL é o caminho mais provável. No momento, a prioridade da administração do presidente Irfaan Ali é colocar em operação uma usina termelétrica a gás para suprir a demanda interna de energia, postergando outras iniciativas industriais de grande porte, como refinarias de bauxita em alumina, fábricas de fertilizantes e grandes data centers.

Em nota à Reuters, um porta-voz da ExxonMobil afirmou que a companhia colabora com o governo da Guiana em planos que maximizem a recuperação de recursos e a geração de valor para o país, acrescentando que o desenvolvimento do setor exige sincronia entre o avanço da oferta e da demanda. A Fulcrum não respondeu aos pedidos de comentário.

Com mais de 11 bilhões de barris de óleo equivalente em recursos recuperáveis e estimativas de operar até oito empreendimentos marítimos até 2030, o bloco Stabroek consolida-se como o ativo mais estratégico do portfólio global da Exxon e o principal catalisador do crescimento econômico da Guiana, que ascendeu rapidamente no cenário energético internacional após sucessivas descobertas em águas profundas na última década.

Em agosto, a quinta plataforma flutuante de produção (FPSO) do consórcio atracou na costa guianense, com início de operação previsto para antes do fim deste ano. Em maio, o grupo solicitou aval regulatório para Haimara, seu nono desenvolvimento no país, voltado — assim como o oitavo projeto, Longtail — à exploração de gás não associado e condensado.

Reed Saxon/AP

Com informações de: Valor Econômico

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