Farra das diárias: veja quanto as principais cidades da região já gastaram com viagens oficiais

Gastos com diárias em prefeituras de pequeno e médio porte crescem acima da média regional e chamam atenção pela falta de detalhamento nos portais públicos

Desde que o sistema de diárias sem obrigatoriedade de prestação minuciosa de contas foi adotado, os gastos com viagens oficiais vêm aumentando de forma expressiva em diversos municípios. Criado para cobrir despesas de alimentação, hospedagem e deslocamento durante compromissos de trabalho, o benefício tem sido alvo de críticas em várias cidades pela dificuldade de fiscalização e transparência.

Um levantamento realizado pelo Informa Noroeste, com base em dados disponíveis nos portais da transparência municipais, revela quanto as principais prefeituras da região já desembolsaram com diárias nos anos de 2024 e 2025 (até 31 de outubro).

Confira o ranking:

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MunicípioPopulação estimadaDiárias em 2024Diárias em 2025*
Fernandópolis71.186 hab.R$ 808.795,38R$ 1.121.846,12
Jales48.776 hab.R$ 269.390,21R$ 856.020,52
Macedônia3.963 hab.R$ 535.149,11R$ 660.318,92
Cardoso11.345 hab.R$ 440.459,81R$ 485.572,57
Santa Fé do Sul34.794 hab.Não consta informaçãoR$ 129.586,27
Palmeira d’Oeste10.806 hab.R$ 263.110,66R$ 256.520,49
Urânia9.527 hab.R$ 286.037,58R$ 250.531,38
Votuporanga96.634 hab.R$ 113.908,01Não consta informação

*Valores referentes ao período de janeiro a outubro de 2025.
Fontes: Portais da Transparência Municipais e IBGE (Censo 2022)

As cidades analisadas possuem média populacional de até 45 mil habitantes, o que permite comparar municípios de porte semelhante e eliminar distorções geradas por grandes centros. Mesmo dentro desse grupo, há diferenças expressivas: em Jales, por exemplo, os gastos com diárias aumentaram mais de 200% em relação ao ano anterior. Em Fernandópolis, o valor já ultrapassa R$ 1,1 milhão antes do encerramento do exercício.

Embora o uso das diárias seja previsto em lei, a falta de detalhamento sobre o destino das viagens e seus resultados concretos para a administração pública tem gerado questionamentos de parte da sociedade civil e dos órgãos de controle. Em muitos casos, os portais da transparência informam apenas o valor total pago, sem especificar o motivo da viagem ou os benefícios obtidos.

Enquanto isso, crescem as críticas de que o sistema pode estar sendo utilizado de forma excessiva, com pouca visibilidade sobre sua real finalidade.
O tema reacende o debate sobre transparência, moralidade e controle social na gestão de recursos públicos.

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