A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o mês de junho com alta de 0,24%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10/7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da desaceleração em relação a maio (0,26%), o acumulado em 12 meses chegou a 5,35%, ultrapassando o teto da meta de 4,5% estipulado para 2025.
A meta de inflação, fixada em 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, é considerada descumprida caso o IPCA fique fora desse intervalo por seis meses consecutivos. Esta é a primeira vez que a nova regra do regime de meta contínua é rompida.
Como prevê a legislação, o Banco Central terá que publicar uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando as razões do estouro. O documento deverá ser divulgado até as 18h desta quinta.
Pressão da energia elétrica
O principal impacto no IPCA de junho veio da energia elétrica residencial, que subiu 2,96% com a entrada da bandeira vermelha patamar 1, adicionando R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos. Esse aumento representou sozinho 0,12 ponto percentual do índice do mês.
Segundo o IBGE, trata-se da maior alta da energia no primeiro semestre desde 2018, quando chegou a 8,02%.
Alimentação recua
Pela primeira vez após nove meses seguidos de altas, o grupo Alimentação e bebidas teve variação negativa de -0,18% em junho. Os maiores recuos foram registrados nos preços de ovos de galinha (-6,58%), arroz (-3,23%) e frutas (-2,22%). A alimentação no domicílio caiu 0,43%.
Transportes voltam a subir
Mesmo com queda nos combustíveis (-0,42%), o grupo Transportes teve alta de 0,27%, puxado principalmente pelo aumento de 13,77% no transporte por aplicativo e de 1,03% no conserto de automóveis.
Variação por grupo – IPCA de junho
| Grupo | Variação (%) |
|---|---|
| Alimentação e bebidas | -0,18 |
| Habitação | 0,99 |
| Artigos de residência | 0,08 |
| Vestuário | 0,75 |
| Transportes | 0,27 |
| Saúde e despesas pessoais | 0,07 |
| Despesas pessoais | 0,23 |
| Educação | 0,00 |
| Comunicação | 0,11 |
Impacto por grupo no IPCA de junho
| Grupo | Impacto (p.p.) |
|---|---|
| Alimentação e bebidas | -0,04 |
| Habitação | 0,15 |
| Artigos de residência | 0,00 |
| Vestuário | 0,04 |
| Transportes | 0,05 |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,01 |
| Despesas pessoais | 0,02 |
| Educação | 0,00 |
| Comunicação | 0,01 |
INPC também sobe
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos, registrou alta de 0,23% em junho. O acumulado em 12 meses é de 5,18%, e no ano, 3,08%.
Esse índice serve de base para o reajuste do salário mínimo e de benefícios sociais.










