Mãe celebra melhora na saúde após três anos de transplante de rim doado pelo próprio filho morto em acidente

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A dona de casa Graziela Furquim do Amaral, de 41 anos, moradora de Birigui, relembrou emocionante jornada de superação e luto ao completar três anos da realização do transplante de rim que salvou sua vida. O órgão foi doado por seu filho primogênito, Kauan Amaral de Farias, falecido aos 20 anos em um acidente de motocicleta durante as comemorações de Ano Novo, no início de 2023.

A história da moradora teve início em julho de 2018, quando uma crise grave de hipertensão arterial provocou falência renal severa, levando-a ao coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Araçatuba e ao tratamento contínuo por hemodiálise. Durante cinco anos de fila de espera no Hospital das Clínicas (HC) da Unesp de Botucatu, Graziela enfrentou episódios de incompatibilidade de órgãos doados e complicações de insuficiência cardíaca decorrentes do quadro renal.

A reviravolta ocorreu em janeiro de 2023, quando Kauan teve morte encefálica confirmada após colisão de trânsito em Birigui. Sem saber da possibilidade jurídica e médica de ser a receptora, a mãe autorizou a doação de todos os órgãos do jovem. Exames de compatibilidade genética conduzidos pela equipe do nefrologista Luis Gustavo Modelli de Andrade confirmaram que Graziela atendia aos critérios estabelecidos pela legislação estadual de saúde para receber o rim esquerdo do próprio filho.

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A cirurgia de emergência foi realizada com sucesso em 4 de janeiro de 2023 no HC da Unesp em Botucatu. As diretrizes normativas da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo garantem a destinação prioritária de órgãos de doadores falecidos a parentes consanguíneos de até quarto grau ou cônjuges desde que estejam inscritos na lista oficial, apresentem compatibilidade sanguínea e resultado negativo no teste de crossmatch. O rim direito do jovem e demais órgãos captados beneficiaram outros pacientes, incluindo o coração, transplantado em uma criança de oito anos.

Atualmente, Graziela mantém rotina de acompanhamento trimestral em Botucatu, uso contínuo de medicação imunossupressora e apresenta função renal plenamente reabilitada. Especialistas em nefrologia reforçam que a doação de órgãos entre familiares diretos apresenta elevados índices de compatibilidade e destacam o gesto de solidariedade como fundamental para a redução das filas de espera por transplantes no país.

Com informações de: Região Noroeste

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