Rio Preto, no interior de SP, entra na rota das novelas verticais
É no encontro entre uma história asiática e a realidade local que São José do Rio Preto (SP) começa a aparecer em um novo mercado audiovisual: o das novelas verticais. Quem se depara com “A Revanche da Esposa Traída” no celular talvez não imagine que a história gravada na cidade começou do outro lado do mundo.
A novela vertical, feita para ser vista na tela do telefone, é uma adaptação de uma produção chinesa, mas ganhou versão brasileira gravada em Rio Preto, com atores, equipe técnica e cenários locais, colocando a cidade na rota deste novo formato.
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A mudança de país não significa apenas trocar o idioma. Para fazer a história funcionar para o público brasileiro, foi preciso adaptar personagens, comportamentos, aparência e até a maneira de atuar, conforme conta ao g1 o diretor Zé Tomaz, cineasta e produtor local.
Ao mesmo tempo, a produção manteve uma característica típica desse tipo de conteúdo: uma sucessão de acontecimentos e reviravoltas para prender a atenção de quem assiste a um episódio atrás do outro.
Gravações de novela vertical mobilizaram elenco e equipe em várias locações em São José do Rio Preto (SP): adaptação chinesa para o mercado brasileiro
Fotos: Zé Tomaz/Arquivo pessoal
Conflitos, romances e reviravoltas
A trama acompanha Helena, interpretada por Isa Curti, uma mulher que descobre que o marido, Yuri (personagem de Thiago Marzochi), escondeu dela a própria identidade. Ele é herdeiro de uma grande fortuna e mentiu justamente para evitar que ela se aproximasse por interesse.
A descoberta acontece ao mesmo tempo em que Helena descobre que o marido a trai com Elisa, uma artista famosa interpretada por Mel Matos. Depois do divórcio, ela reencontra Miguel, um antigo amigo de faculdade, vivido por Léo Lucena, e os dois começam uma relação que movimenta a história.
Yuri não aceita o fim do casamento. Elisa também não abre mão do relacionamento com ele. E, a partir daí, a novela aposta em novos conflitos, romances e reviravoltas.
O cineasta e produtor Zé Tomaz, que dirigiu novela vertical gravada em São José do Rio Preto (SP): cidade como pátio para novos formatos do audiovisual
Zé Tomaz/Arquivo pessoal
História chinesa com jeito brasileiro
Segundo o diretor Zé Tomaz, a história original chinesa precisou passou por adaptações para receber uma versão brasileira. Um dos desafios foi justamente fazer com que situações e elementos culturais da narrativa funcionassem para o público daqui.
“Tem a questão cultural, algumas coisas têm que ser adaptadas no roteiro para fazerem sentido aqui”, explica ao g1.
Na prática, parte dessas diferenças aparece na própria construção dos personagens.
Isa Curti conta que Helena tem uma personalidade mais dócil, gentil, inocente e bondosa. O estilo da personagem também é diferente do dela. Para entrar no papel, a atriz retirou o piercing, cortou as unhas, adotou uma aparência mais discreta e mudou até a forma de falar.
“Eu dei uma leve alterada na voz para ela ficar mais baixa e gentil do que a minha voz natural”, conta.
As expressões também foram trabalhadas para acompanhar esse perfil mais delicado.
A preparação incluiu ainda assistir à versão original chinesa da novela. Isa passou boa parte do período anterior às gravações estudando o roteiro e observando a produção que serviu de referência para a versão brasileira. “Eu acordava e dormia com o roteiro”, diz.
O resultado é uma personagem que preserva a história central da produção original, mas ganha características pensadas para a nova versão.
Um mercado feito para o celular
Além das diferenças culturais, existe outra mudança importante em relação às produções tradicionais: o ritmo.
“A Revanche da Esposa Traída” tem 60 capítulos e foi gravada em apenas seis diárias, com média de dez episódios produzidos por dia.
O diretor explica que o roteiro tinha mais de cem páginas e exigia uma produção muito mais ágil do que a equipe está acostumada a realizar em cinema e publicidade.
“O roteiro tem foco em manter a pessoa entretida, então tem muitas reviravoltas na história e coisas inesperadas”, comenta Zé Tomaz.
Gravações de novela vertical mobilizaram equipe e elenco em diversas locações em São José do Rio Preto (SP): adaptação de produto chinês para o mercado brasileiro
Zé Tomaz/Arquivo pessoal
Preparação de um dia
Para o ator Léo Lucena, que interpreta Miguel, a velocidade fez com que praticamente não existisse um período tradicional de preparação.
“Foi tudo no feeling. Em um dia, conhecemos os personagens e elenco. E no outro dia, já começamos as gravações”, revela.
Léo já tinha participado de uma novela vertical antes, mas apenas em uma pequena participação. Desta vez, assumiu um dos protagonistas.
Miguel é um empresário milionário que reencontra Helena justamente quando ela está se separando do marido. Ao longo da história, ele assume o papel de mocinho e passa a protegê-la dos conflitos que surgem.
“É um trabalho que exige preparação intensa e uma construção de personagem mais elaborada”, garante o intérprete do galã.
Para Mel Matos, a experiência também teve uma particularidade. “A Revanche da Esposa Traída” foi sua segunda novela vertical — e, novamente, ela interpretou uma vilã.
“Foi uma experiência muito especial e de muito aprendizado. Amei interpretar a Elisa por mais que seja tão diferente de mim e poder explorar esse lado mais intenso da atuação”, diz.
Gravações de novela vertical mobilizaram equipe e elenco em diversas locações em São José do Rio Preto (SP): adaptação de produto chinês para o mercado brasileiro
Zé Tomaz/Arquivo pessoal
Seis dias e dez locais
A equipe local reuniu 30 profissionais remunerados, sendo 11 integrantes da equipe técnica. O elenco principal contou com quatro atores e outras 15 pessoas participaram das figurações.
As gravações passaram por dez locais de Rio Preto, entre eles um campus universitário, uma clínica, uma loja de semijoias e o Polo Audiovisual do Noroeste Paulista, além de residências e cenas externas.
Além da adaptação cultural, a equipe precisou lidar com um cronograma apertado e com as diferenças de fuso horário entre Brasil e China. “As aprovações durante a pré-produção vêm sempre durante a madrugada, por ser um cliente chinês”, conta o diretor.
A novela foi realizada em parceria com a produtora paulista Otzi Stars, especializada nesse formato, contratada por uma plataforma de vídeos curtos chinesa. “A Revanche da Esposa Traída” fica disponível em um aplicativo para celulares especializado em conteúdo de teledramaturgia.
Uma nova porta para o audiovisual
Para os profissionais envolvidos, a novidade não está apenas no formato da novela, mas também no fato de uma produção deste tipo ter como base e cenário a cidade de Rio Preto.
Zé Tomaz afirma que a cidade vem estruturando o setor audiovisual com mão de obra, locação de equipamentos e cursos voltados à área. Na avaliação dele, receber produções como essa ajuda a colocar o município no radar de empresas de fora da região.
“Ter um produto como esse sendo rodado aqui mostra que a cidade está sendo notada pelo mercado nacional como um possível pátio de produção audiovisual”, afirma.
Segundo Zé Tomaz, a produção realizada em Rio Preto foi a 15ª novela vertical feita pela produtora paulista para a empresa chinesa, e há expectativa de novas produções até o fim do ano. Já está confirmada a equipe para outra novela vertical que será gravada em dezembro. Outra produção também está em negociação.
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Com informações de: G1










