A Polícia Civil de Ilha Solteira desmantelou uma organização criminosa especializada no furto de grandes rebanhos em propriedades rurais da região do noroeste paulista. A investigação aponta que o grupo foi responsável pelo desvio de pelo menos 259 animais, entre bois, vacas e novilhas. Até o momento, a Justiça decretou a prisão preventiva de seis suspeitos identificados pelas autoridades, resultando na captura de dois deles, enquanto os outros quatro integrantes do bando continuam foragidos e são procurados pela polícia.
Os crimes ocorreram em uma sequência de ataques a fazendas localizadas nos municípios de Ilha Solteira, Guaraçaí, Mirandópolis e Dirce Reis, entre julho de 2025 e janeiro de 2026. A ação mais expressiva e recente da quadrilha aconteceu no final de janeiro, quando o grupo invadiu uma propriedade em Ilha Solteira e levou 80 bois de uma só vez. Para conseguir transportar esse volume de animais, os criminosos agiram com forte organização, chegando a construir uma estrutura de madeira provisória no local para facilitar o embarque do rebanho em caminhões de carga. O proprietário da fazenda, que alugava as pastagens para criadores da região, relatou que os inquilinos deram falta dos animais na manhã seguinte e acionaram o socorro policial.
A partir desse último caso, os investigadores da Delegacia Seccional de Andradina iniciaram um minucioso trabalho de cruzamento de dados que revelou uma engrenagem criminosa bem estruturada entre diferentes cidades. O esquema funcionava com divisões de tarefas claras: dois moradores de Pereira Barreto eram os responsáveis por invadir as propriedades e executar os furtos na calada da noite. Em seguida, os animais eram escondidos temporariamente em uma fazenda em Andradina e depois levados para pastos em Cedral e Potirendaba, onde eram colocados à venda. Parte do rebanho foi recuperada no início de fevereiro pela Polícia Militar Ambiental graças às marcas de ferro com as siglas “JP” ou “CB” e furos nas orelhas dos bois, o que facilitou o reconhecimento por parte das vítimas.
A investigação também desvendou o caminho do dinheiro do crime, revelando uma sofisticada operação de lavagem de capitais. Os lucros obtidos com o comércio clandestino do gado eram depositados nas contas bancárias de uma empresa atacadista de roupas sediada em São José do Rio Preto e, só depois desse processo, os valores eram repassados aos criminosos que faziam o trabalho de campo. No total, a Polícia Civil já conseguiu esclarecer formalmente seis grandes furtos na região. O inquérito policial segue aberto com o objetivo de capturar os quatro foragidos e descobrir se existem outros envolvidos ou comerciantes participando da compra e venda ilegal dos animais.
Com informações de: Região Noroeste










