Café atrás das grades: inflação transforma item básico em artigo de luxo nos supermercados de SP

Supermercados adotam lacres e grades para proteger pacotes de café. Alta de 77% nos preços e onda de furtos expõem drama do consumo popular

O café, símbolo da rotina e do afeto na casa do brasileiro, agora é mantido sob vigilância rígida em diversos supermercados de São Paulo. O que antes era um produto simples e acessível, hoje está sendo trancado, lacrado ou etiquetado com dispositivos antifurto, como se fosse item de luxo.

Em unidades do Carrefour Express e Mini Extra, espalhadas por todas as regiões da capital, marcas populares de café, como o tradicional Pilão, deixaram de ocupar prateleiras abertas e passaram a ser armazenadas atrás de grades. A razão? A alta de 77% no preço do produto, somada ao aumento dos furtos.

O caso mais emblemático ocorreu em uma unidade do Extra no bairro do Grajaú, onde cerca de 300 pacotes de café foram furtados em pouco tempo. “Quanto mais abasteciam, mais roubavam”, relatou um promotor da marca, justificando a adoção de lacres e bloqueios físicos.

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E o café não está sozinho. Outros itens básicos como picanha, azeite, bacalhau e até creme de avelã também passaram a ser tratados como artigos de alto risco, exigindo mecanismos de segurança semelhantes. A medida, além de ilustrar a nova realidade dos supermercados, revela um cenário social alarmante, onde o consumo básico é tratado como ameaça patrimonial.

Mesmo com indicadores econômicos positivos, como a alta do PIB, a vida nas gôndolas revela um Brasil bem diferente — onde o essencial virou alvo, e o simples hábito de tomar café começa a representar um luxo inacessível para muitos.

O café segue presente na mesa do brasileiro. Mas agora, protegido por grades, trancado por lacres e marcado pelo drama da desigualdade.

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