Junho é o mês mais honesto do ano. Ele não promete nada. Não vem com resolução de ano novo nem com aquela energia artificial de recomeço. Ele só chega, faz frio, e diz: pare um pouco.
E a gente resiste. Porque parar parece errado. Parece preguiça, parece fraqueza, parece que você está ficando para trás enquanto o mundo continua girando sem você.
Mas o inverno existe por uma razão. A natureza para. As árvores param. Os bichos param. E ninguém chama isso de desistência. Chama de ciclo. Chama de necessidade. Chama de preparação para o que vem depois.
A gente é a única espécie que se culpa por precisar descansar.
Junho me ensinou, e continua ensinando porque eu sou teimoso, que tem uma diferença enorme entre parar e desistir. Desistir é largar. Parar é respirar. Desistir é virar as costas. Parar é olhar com mais calma para onde você está indo.
Às vezes a melhor coisa que você pode fazer pelo seu caminho é sair dele por um instante. Sentar na beira da estrada, tomar um café quente, olhar o horizonte e lembrar por que você começou.
Junho vai passar. O frio vai embora. Mas o que você aprendeu enquanto estava parado, isso fica.










