Ministério da Saúde amplia vacinação contra HPV para crianças de 2 anos vítimas de violência sexual

Pasta ampliou faixa etária para vacinação após aumento de notificações de violência sexual

O Ministério da Saúde atualizou suas diretrizes e passou a recomendar a aplicação da vacina contra o HPV para crianças a partir de 2 anos que tenham sido vítimas de violência sexual. A determinação consta em uma nota técnica divulgada pela pasta, que expandiu o público-alvo da imunização preventiva, anteriormente restrito à faixa etária de 9 a 45 anos para esses casos.

A decisão do governo federal baseia-se na extrema vulnerabilidade desse grupo e na alta expressiva dos diagnósticos de abusos em crianças pequenas. Segundo dados divulgados no documento, as notificações de violência sexual na primeira infância — que abrange idades entre 0 e 4 anos — quadruplicaram em um intervalo de dez anos, saltando de 1,6 mil casos registrados em 2014 para mais de 7,8 mil registros recentes. O aumento vertiginoso nos índices também foi verificado entre faixas de 5 a 14 anos e na adolescência, evidenciando um cenário alarmante de exposição a infecções sexualmente transmissíveis.

De acordo com o órgão, o vírus HPV é um severo problema de saúde pública devido à sua alta transmissibilidade e à ligação direta com o surgimento de lesões graves e múltiplos tipos de câncer, como os de colo do útero, pênis, canal anal e orofaringe. A pasta destaca que a imunização precoce busca mitigar os riscos imediatos e futuros enfrentados por sobreviventes de abuso, cujos impactos decorrentes da violência costumam ampliar a suscetibilidade a complicações de saúde e episódios recorrentes ao longo da vida.

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