Câncer de mama em cães e gatos exige atenção aos primeiros sinais

Doença é mais frequente em fêmeas idosas e felinos apresentam até 90% de tumores malignos; castração precoce reduz riscos em cadelas.
Outubro Rosa Pet: saiba sinais, prevenção e tratamento do câncer de mama em cães e gatos

O câncer de mama também atinge cães e gatos e pode levar à morte se não for tratado a tempo. A enfermidade acomete principalmente as fêmeas, embora machos também possam ser afetados em situações raras. Com o avanço da idade dos animais, a probabilidade de desenvolvimento de tumores se eleva.

De acordo com a médica veterinária Viviane de Almeida, que atua em Sorocaba (SP), a manifestação clínica varia entre as espécies. “Em cadelas, os tumores mamários são mais frequentes em animais de meia-idade e idosos, geralmente a partir dos 7, 8 anos. Nas gatas, a ocorrência também aumenta com a idade, sendo comum em animais mais velhos. Um detalhe importante: os tumores mamários felinos apresentam uma proporção muito maior de malignidade do que os caninos”, explica a veterinária.

Enquanto os cães apresentam uma diversidade maior no perfil dos nódulos, entre 80% e 90% dos tumores mamários em gatos são malignos, com predomínio de carcinomas.

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Principais sinais de alerta

O surgimento de caroços na cadeia mamária é o sintoma mais comum e costuma ser notado pelo tutor durante carinhos ou momentos de higienização. Outros indícios clínicos exigem atenção imediata:

Nódulos ou áreas endurecidas nas mamas;

Aumento de volume ou alteração no formato das mamas;

Crescimento rápido de nódulos preexistentes;

Vermelhidão, feridas ou ulcerações na pele;

Secreção ou sangramento na região dos mamilos;

Sensibilidade e dor ao toque;

Inchaço nos linfonodos, especialmente em fases adiantadas da doença.

A especialista adverte que a avaliação visual não basta para definir a gravidade do caso. “Por isso, não é possível determinar apenas pelo tamanho ou pela aparência do nódulo se ele é benigno ou maligno. O diagnóstico definitivo depende da avaliação histopatológica”, ressalta Viviane.

Diagnóstico e procedimentos cirúrgicos

Não há exame de sangue que descarte completamente o câncer de mama nos animais. Por essa razão, o acompanhamento veterinário periódico e o toque frequente são as principais medidas preventivas. Ao identificar qualquer alteração, o médico veterinário pode requisitar citologia por punção aspirativa, exames laboratoriais pré-operatórios, raio-x do tórax para rastrear metástases pulmonares e ultrassonografia abdominal.

Quando a operação é viável, a cirurgia costuma ser a conduta prioritária. A abordagem é definida conforme o tamanho da lesão, quantidade de mamas atingidas e o estado geral do pet. “Quando o tumor é operável e não há contraindicação, a cirurgia geralmente é o principal tratamento, especialmente quando realizada antes de uma disseminação importante da doença. Mas não existe uma cirurgia única para todos os casos. O planejamento é individualizado”, pontua a médica.

O procedimento pode abranger a extração apenas do nódulo, a retirada de glândulas isoladas, a remoção da cadeia mamária completa ou dos linfonodos próximos. O material retirado segue para análise histopatológica, exame que define a necessidade de terapias complementares, como quimioterapia.

Prevenção, castração e riscos hormonais

A castração precoce é apontada como um dos métodos mais eficientes para reduzir o risco de tumores mamários em cadelas. “O efeito protetor é maior quando a castração é realizada antes do primeiro cio e vai diminuindo conforme o número de ciclos estrais aumenta.” A indicação do procedimento, contudo, deve ponderar raça, porte, idade e estilo de vida de cada pet.

Por outro lado, o uso de injeções anticoncepcionais é contraindicado. Medicamentos à base de progestágenos provocam modificações no tecido mamário e aumentam a ocorrência de tumores, além de favorecerem enfermidades uterinas graves, como a piometra e a hiperplasia endometrial cística. “Por isso, esse tipo de medicamento não é considerado uma alternativa segura à castração para o controle reprodutivo de cães e gatos”, alerta Viviane.

Fatores como obesidade, histórico reprodutivo e predisposição genética também influenciam o surgimento da doença. Caso o tutor note alguma alteração na mama do pet, a recomendação médica é não apertar nem tentar manipular o local em casa, buscando atendimento profissional de imediato.

Exemplo de superação

Em Sorocaba, a cadela Mary foi diagnosticada com câncer de mama aos 13 anos, após o tutor Alan Porto Bernardo perceber um nódulo na região. “É silencioso. O único sintoma que tem é ser uma ‘bolinha’ na mama. O nódulo apareceu e, depois dos exames, vi que era câncer de mama mesmo”, relatou.

Mesmo com a identificação de metástases em outros órgãos na consulta inicial, o tutor optou pela linha cirúrgica sem aplicação de quimioterapia. Ao longo de quatro anos de acompanhamento, Mary passou pela retirada de duas mamas e por cirurgias complementares para remoção de tumores nas patas e na região íntima. Na intervenção mais recente, em uma das patas, foram necessários 32 pontos.

O tutor destaca a recuperação e a vitalidade da cadela após os procedimentos. “A Mary não parece que tem essa idade. Ela é uma cadela normal, brinca, come e sobe escada. Ela é diferenciada, é muito forte”, concluiu.

Com informações de: G1

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