A Polícia Federal de Bauru (SP) solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) o afastamento cautelar imediato do prefeito de Jaú (SP), Ivan Cassaro (PSD). O pedido consta do relatório final de um inquérito que apurou o funcionamento de uma organização criminosa envolvida em corrupção passiva, corrupção eleitoral e crimes contra a administração pública.
Segundo o relatório conclusivo, a medida cautelar visa impedir eventuais retaliações e coações contra testemunhas e colaboradores do processo, tendo em vista a posição de influência ocupada pelo chefe do Executivo municipal, que cumpre o seu segundo mandato consecutivo.
Esquema de “Mídia Cativa” e extorsão a fornecedor
A apuração detalha a existência de uma estrutura informal ligada à gestão municipal encarregada de manipular a opinião pública local por meio da cooptação de comunicadores, rádio e páginas regionais nas redes sociais. A rede recebia pagamentos mensais estimados em R$ 1,5 mil para produzir conteúdos de exaltação ao prefeito e de ataques direcionados a opositores políticos.
O inquérito indica que os repasses clandestinos eram financiados pela extorsão de um empresário responsável por obras no estádio municipal. De acordo com ata notarial e áudios anexados, o pagamento de medições das obras na prefeitura dependia da realização de transferências via Pix diretamente para a conta dos comunicadores contratados. A coordenação dos repasses ficava a cargo de um ex-secretário, enquanto um secretário em exercício enviava pautas e direcionamentos editoriais.
Indiciamentos e desdobramentos
A Operação Mídia Cativa, deflagrada pela PF em maio de 2026, cumpriu 13 mandados de busca e apreensão nos municípios de Jaú, Dois Córregos e Nhandeara. Ao todo, 13 pessoas foram indiciadas no relatório final:
- Ivan Cassaro, prefeito de Jaú;
- Um secretário e um ex-secretário municipal;
- Dois empresários;
- Sete comunicadores e a esposa de um dos profissionais.
Posicionamento do prefeito e da administração
Em nota oficial conjunta encaminhada pela Prefeitura de Jaú e pela defesa do prefeito, Ivan Cassaro declarou estar com a “consciência tranquila” e atribuiu as acusações a uma “perseguição pessoal e política” promovida por grupos de oposição após sua reeleição. A nota acrescenta que todos os esclarecimentos cabíveis foram apresentados aos autos e que novos detalhes não serão divulgados devido ao segredo de Justiça que envolve o procedimento.
Com informações de: Região Noroeste










