Supermercados recorrem até ao Exército para tentar atrair jovens diante da falta de mão de obra

Mesmo com 350 mil vagas abertas, setor enfrenta rejeição dos jovens e críticas ao modelo de trabalho
Supermercados também apostam na diversificação do perfil de trabalhadores para preencher vagas Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Com dificuldades crescentes para contratar, os supermercados estão buscando alternativas inusitadas para repor a mão de obra. A mais recente envolve uma parceria com o Exército Brasileiro para atrair jovens que acabam de concluir o serviço militar obrigatório.

Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Marcio Milan, o setor soma hoje cerca de 350 mil vagas abertas no país. No entanto, mesmo com o desemprego em queda e atingindo 6,6% no trimestre encerrado em abril — o menor índice desde 2012 —, muitas dessas oportunidades continuam sem preenchimento.

“A dinâmica mudou. Antes, o trabalhador procurava emprego. Hoje, são as empresas que procuram o trabalhador”, afirmou Milan, ao apontar que muitos jovens têm preferido trabalhos informais e flexíveis, como os oferecidos por aplicativos.

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A parceria com o Exército, segundo ele, é um projeto de médio prazo. Envolve o cruzamento de dados, mapeamento de perfis e a oferta de vagas com possibilidade de desenvolvimento profissional. Além disso, a Abras também tem apostado em outros públicos, como pessoas com mais de 60 anos e jovens que desejam jornadas adaptáveis.

O setor propôs ainda ao Ministério do Trabalho a criação de um comitê para discutir novos modelos de contratação. A ideia é atrair trabalhadores com realidades diferentes, como estudantes e cuidadores familiares.

Críticas ao modelo atual

Apesar dos esforços da Abras, críticas ao modelo de trabalho nos supermercados têm ganhado força nas redes sociais. Empregados relatam jornadas exaustivas, baixos salários e falta de perspectiva de crescimento.

“Às vezes a gente só tem meio domingo para descansar”, contou um trabalhador que preferiu não se identificar. Outro leitor rebateu a justificativa da Abras de que os jovens abandonaram os supermercados por vontade própria: “Não é por isso. É porque o modelo é feito para moer a carne. Salário baixo, pressão constante e pouca valorização.”

Para muitos, a real dificuldade do setor em contratar está mais ligada às condições oferecidas do que à falta de interesse da juventude.

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