Unicef e Fórum de Segurança cobram dos candidatos planos concretos contra a violência infantil nas eleições de 2026

Entidade vai analisar planos de governo e pretende obter compromissos públicos para reduzir mortes de crianças e adolescentes

A violência contra crianças e adolescentes entrou na pauta das eleições de 2026 com uma cobrança direta aos candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pretende analisar os programas de governo e buscar compromissos públicos para a adoção de medidas de prevenção, diante de um cenário que registrou 2.079 mortes violentas intencionais de menores de 18 anos no país em 2025.

A análise dos planos deve começar após o encerramento do prazo para registro das candidaturas, previsto para sábado (15). A proposta é verificar como os candidatos a presidente e governador tratam temas relacionados à violência dentro e fora de casa, assassinatos de menores de idade e políticas de proteção à infância. O Unicef já divulgou uma agenda direcionada às eleições deste ano, com pedidos de compromissos públicos dos candidatos.

“A violência dentro e fora de casa é a maior preocupação do Unicef [nestas eleições]”, afirmou o representante da entidade no Brasil, Joaquim Gonzales-Aleman.

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“Nossa campanha busca trazer para o debate a importância dos candidatos responderem a estes problemas, mas responder de uma forma adequada, que não seja simplista”, acrescentou.

Mais de cinco mortes por dia

Dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que as mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes caíram 10,8% entre 2024 e 2025, passando de 2.356 para 2.079 vítimas. Mesmo com a redução, o total representa uma média superior a cinco mortes por dia.

Entre as vítimas registradas em 2025, 88% tinham de 12 a 17 anos, com maioria negra, enquanto 240 crianças tinham até 11 anos.

Além de examinar os programas eleitorais, o Unicef pretende convidar os candidatos a assumir publicamente o compromisso de priorizar políticas voltadas à redução de mortes intencionais de menores de 18 anos. A agenda da organização também inclui ações contra violência doméstica, racismo, violência de gênero e medidas de transparência no uso de recursos destinados à infância.

Para a representante adjunta para Programas do Unicef no Brasil, Layla Saad, os números precisam ser tratados como parte de um problema estrutural.

“Queremos aproveitar as eleições para pautar o tema de forma clara, ajudando a qualificar o debate para que as respostas [aos problemas] sejam baseadas em evidências [números e resultados], e não respostas meramente reativas, viscerais, diante de acontecimentos pontuais”, afirmou.

Entidades defendem política nacional

O Unicef avalia que o país já dispõe de leis e programas de proteção, mas defende uma política nacional de prevenção à violência contra crianças e adolescentes, com responsabilidades definidas para União, estados e municípios, previsão de recursos e coordenação das ações. A proposta apresentada pela entidade prevê atuação conjunta de áreas como educação, assistência social, saúde, direitos humanos, trabalho e segurança pública.

A discussão também envolve o sistema socioeducativo. Segundo os dados apresentados pelo Fórum, o número de adolescentes internados caiu aproximadamente 53% entre 2016 e 2025, de 26.450 para 12.203.

O sociólogo Cauê Martins, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, defendeu maior transparência nas informações como condição para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Os dados sobre violência sexual também integram o debate. Em 2025, 64,9% dos estupros de vulneráveis registrados ocorreram na residência da vítima, enquanto familiares representaram 59,2% dos autores nos casos envolvendo crianças de até 13 anos, segundo levantamento do Fórum.

Para as entidades, a análise dos programas de governo será uma forma de identificar quais medidas os candidatos apresentam para enfrentar diferentes tipos de violência contra menores de idade e como pretendem transformar essas propostas em políticas públicas caso sejam eleitos.

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