A recente convocação de técnicos em educação aprovados no concurso público de Votuporanga gerou polêmica e revolta entre os profissionais. A indignação surgiu após os convocados descobrirem que seus registros na carteira de trabalho constavam como “babás”, um termo considerado inadequado e humilhante para a função que desempenham.
Os técnicos atuam no auxílio a crianças com necessidades especiais em creches e escolas do ensino fundamental. No entanto, eles alegam que o edital do concurso não mencionava a função de babá e que a Prefeitura de Votuporanga foi pouco transparente quanto às condições de trabalho. Entre as principais reclamações estão a ausência de adicional de insalubridade, mesmo com a realização de trocas e higiene infantil, e o fato de um único profissional ser responsável por até três crianças com necessidades especiais, sem limite estabelecido.
Revolta entre os profissionais
“Esse mês fomos atribuídos no concurso de técnico em educação, que são aqueles profissionais que auxiliam as crianças especiais tanto na creche como no fundamental… auxiliares de sala…”, relatou um dos técnicos.
“Para nossa decepção, está na nossa carteira de trabalho o registro de babá. Ou seja, não era essa vaga que constava no edital quando fizemos a prova do concurso. Fizemos a prova escrita, a prova física e psicológica, e agora descobrimos que todos os técnicos em educação estão registrados como babá. Isso é falta de respeito e falta de transparência.”
Condições de trabalho questionadas
Além do registro profissional inadequado, os técnicos também protestam contra a falta de estrutura e direitos.
“Sem contar com essa falta de transparência, são as condições de trabalho: não recebemos insalubridade, sendo que lidamos com troca e higiene infantil diariamente. E também um único técnico às vezes fica responsável por até três crianças especiais. Não há limite de quantidade de crianças com necessidades especiais por técnico”, afirmou uma profissional aprovada no concurso.
Ela ainda destacou que, durante o treinamento, foi informado que um único técnico pode cuidar de três ou mais crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou outras necessidades especiais, sobrecarregando os profissionais e comprometendo a qualidade do atendimento.
A Prefeitura de Votuporanga ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. No edital de convocação, a palavra “babá” não é mencionada, o que reforça o questionamento dos aprovados quanto à mudança na nomenclatura e às condições impostas no momento da contratação.
Fonte: Notícias Noroeste









