Dólar à vista tem leve avanço em dia de aversão global a risco

Dólar à vista tem leve avanço em dia de aversão global a risco

O dólar à vista avançou levemente na sessão desta quinta-feira, em meio ao fortalecimento da moeda americana ante divisas emergentes, em um dia em que a preocupação com o cenário externo engatilhou uma aversão a ativos de risco. Apesar do sentimento de maior cautela, houve sinais de entrada de capitais no país, com melhora do dólar casado, a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e a do dólar à vista.
Como a perspectiva dos agentes é que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença a eleição presidencial no domingo e o câmbio aprecie, exportadores podem ter internalizado capital antes de ver um dólar ainda mais fraco na semana que vem.
Encerradas as negociações, o dólar à vista fechou em alta de 0,22%, cotado a R$ 5,0383, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,0220 e batido na máxima de R$ 5,0555. Já o euro comercial avançou 0,07%, a R$ 5,6514. Perto das 17h05, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,13%, aos 101,647 pontos.
Houve no pregão de hoje um sentimento de aversão a risco no exterior, que fez com que as bolsas em Nova York recuassem com força, enquanto as moedas de mercados emergentes seguiram bastante pressionadas.
Apesar disso, o real não esteve entre as moedas mais frágeis do dia. A perspectiva de mudança na condução da política fiscal do Brasil pode ter sido o motivo, com os investidores evitando fazer apostas grandes contrárias à moeda brasileira. Além disso, uma internalização de capital pelos exportadores também pode estar dando suporte ao câmbio.
A taxa extraída do dólar casado tem caído, com o diferencial em relação à taxa efetiva dos Fed funds diminuindo. Se ontem esse spread estava em torno de 1,28 percentual, hoje caiu para 1,18 ponto, depois de bater a mínima de 1,10 ponto percentual. “Pode ser que a janela de dólar daqui para as próximas semanas seja de desvalorização, já que é mais provável uma vitória do Flávio [Bolsonaro]. Faz sentido, então, ter internalização corporativa”, afirma um trader na condição de anonimato.
O Goldman Sachs diz, em nota, que continua esperando que o foco do mercado se desloque rapidamente para os resultados concretos após a eleição, incluindo as nomeações para o gabinete ministerial e a implementação de políticas. “Esses desdobramentos podem manter a volatilidade do real elevada mesmo após o período eleitoral, ainda que o novo governo só tome posse em 2027.”
Além disso, o banco aponta que as saídas sazonais de recursos em dezembro podem representar um fator adicional de pressão sobre o real caso os anúncios concretos de política econômica decepcionem. “No entanto, nossas análises encontraram evidências limitadas de que esses fluxos tenham um impacto estrutural sobre o desempenho da moeda brasileira no passado”, dizem profissionais do Goldman.
“Em última análise, acreditamos que o cenário global de apetite por risco continua sendo tão importante para o real quanto nos ciclos eleitorais anteriores.”
Sobre o diferencial de juros, o banco americano aponta que, embora o “carry” do real tenha diminuído, ele ainda permanece em patamar elevado, e a moeda continua subvalorizada segundo as métricas da casa.

Com informações de: Valor Econômico

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