Ibovespa cai com dados de inflação nos EUA e eleição presidencial no radar

Ibovespa cai com dados de inflação nos EUA e eleição presidencial no radar

O Ibovespa apresentou um movimento bastante volátil nesta quarta-feira. Depois de abrir em queda, o índice passou a oscilar no começo da tarde, voltando a firmar uma tendência apenas perto do fechamento. Pela manhã, o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI) americano superou as expectativas tanto na comparação mensal quanto no acumulado em 12 meses, o que causou uma ampla aversão a risco nos mercados globais, afetando em cheio a bolsa local.
Já no começo da tarde, a divulgação de sondagens eleitorais mostrando uma vantagem maior em termos percentuais para o senador Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o Ibovespa devolver as perdas e apresentar leve alta.
A melhora, no entanto, durou pouco e o índice voltou a ceder diante de uma queda mais intensa de blue chips de bancos e da Vale. Com isso, após oscilar entre os 203.464 pontos e os 207.221 pontos, o Ibovespa encerrou em baixa de 0,18%, aos 206.506 pontos.
Entre as blue chips, as units do BTG Pactual lideraram as perdas, com queda de 2,81%. O dia também foi de queda para as ON da Vale, que cederam 0,66%. Na ponta contrária, as PN da Petrobras ganharam 2,22% e as ON subiram 1,94%.
O sentimento dos investidores locais sobre o setor de petróleo e gás melhorou, e a Petrobras aparece como a aposta consensual, de acordo com o BTG Pactual.
Para os analistas do banco, a estatal é considerada, de certa forma, isolada dos efeitos das eleições, por apresentar retornos atrativos em cenários variados, além de potencial positivo em caso de redução do custo atribuído ao Brasil. Vários fundos já têm exposição significativa à Petrobras, de cerca de 8% a 10% das carteiras, mas parece haver disposição para ampliá-la, a despeito do rali recente dos papéis, observa o BTG.
Embora as ações da Petrobras tenham ajudado a reduzir as perdas do Ibovespa no pregão, o movimento não foi suficiente para reverter a queda em uma sessão em que o índice foi afetado por uma combinação negativa de fatores.
Do lado internacional, a inflação americana subiu 0,6% em setembro, em linha com as expectativas, mas o núcleo, que exclui os custos com energia, registrou alta de 0,3%, acima do 0,2% esperado, o que gerou aversão a risco nos mercados, especialmente pela manhã.
Já do lado local, investidores monitoraram sondagens eleitorais que trouxeram uma vantagem maior de Flávio em relação ao presidente Lula, o que promoveu um alívio momentâneo na bolsa local. As divulgações aconteceram antes da pesquisa Quaest, que será apresentada após o fechamento do mercado hoje.
Na visão da estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, o cenário externo não apenas ajudou a limitar o fôlego de altas pontuais do Ibovespa, mas também transferiu o piso de suporte da bolsa para patamares mais baixos. “Enquanto as taxas americanas permanecerem pressionadas, qualquer sinal de ruído ou indefinição no cenário eleitoral brasileiro tende a gerar rodadas mais intensas de realização de lucros e aversão ao risco”, diz. “Para que o mercado acionário local retome uma trajetória ascendente consistente, será necessário que o ambiente global dê sinais de estabilização ou que o cenário político doméstico ofereça uma clareza fiscal tão forte que compense o custo de oportunidade imposto pelas taxas de juros dos Estados Unidos”, acrescentou.
Nesse sentido, a profissional acredita que a forte e rápida oscilação de preços do Ibovespa registrada após o primeiro turno indicou mais uma transição de um movimento impulsionado por um “alívio tático para uma nova fase de ajuste às realidades macroeconômicas e políticas”.
“Essa reversão [vista nos últimos dias] indica que o movimento de alta anterior esteve muito mais ancorado em um otimismo de curto prazo do que em uma alteração sustentável dos fundamentos”, pondera a estrategista.
Hoje, o volume financeiro negociado no Ibovespa foi de R$ 31,3 bilhões, chegando a R$ 78,9 bilhões na B3. Já em Wall Street, os principais índices tiveram queda expressiva: o Nasdaq recuou 1,88%, o S&P 500 perdeu 1,11%, e o Dow Jones fechou estável (-0,09%).

Com informações de: Valor Econômico

Anúncios

Compartilhe:

Facebook
Twitter
WhatsApp