Planejar uma aula com cuidado é um passo necessário, mas a prática pedagógica frequentemente esbarra na imprevisibilidade da sala de aula. Alunos que não compreendem conteúdos aparentemente óbvios ou reações diversas diante de uma mesma atividade mostram que o planejamento funciona como bússola, mas não elimina as mudanças no percurso. Alberto Martins Cesário, professor e escritor, aponta que o problema surge quando o educador passa a enxergar qualquer desvio como fracasso.
Historicamente, a escola tratou o erro como algo a ser eliminado rapidamente, associando a resposta correta à inteligência e a incorreta à incapacidade. No entanto, o erro acompanha o crescimento por meio de trocas de letras, confusões em operações matemáticas ou hesitações na leitura, funcionando como parte natural da aprendizagem e não como um simples acidente.
Quando o professor aprende a escutar e a investigar a lógica por trás de uma resposta incorreta, o erro deixa de receber uma sentença e passa a atuar como diagnóstico. Essa postura revela que o conceito ainda não foi compreendido, indicando a necessidade de mudar a estratégia, alterar o tipo de experiência ou buscar o que impede o aluno de avançar.
O texto destaca ainda que o erro também pode revelar emoções, como o medo de fracassar ou a necessidade de ser valorizado. Diante disso, o ambiente escolar precisa permitir que tentar novamente seja valorizado e que o erro não diminua ninguém, pois salas de aula tomadas pelo medo de errar acabam dificultando o próprio processo de aprendizagem e fazendo com que alunos escondam suas dúvidas.
A maturidade pedagógica, portanto, passa pela capacidade de o professor reconhecer o próprio erro, refletir sobre a prática e transformar experiências que não funcionaram em crescimento. Planejar continua fundamental, mas a verdadeira competência na educação reside em responder bem ao que acontece quando a realidade entra pela porta da sala de aula.
Com informações de: diariodevotuporanga.com.br










