Dólar encerra abaixo de R$ 5 com perspectiva de vitória de Flávio

Dólar encerra abaixo de R$ 5 com perspectiva de vitória de Flávio

O dólar à vista encerrou o pregão desta sexta-feira em queda firme frente ao real, abaixo do patamar técnico e psicológico de R$ 5,00, no último pregão antes do resultado da corrida presidencial brasileira deste ano. Nesta sexta, trackings de partidos políticos teriam animado os investidores a reduzir o prêmio de risco e a ajustar posição, segundo relatos de operadores. Os levantamentos estariam mostrando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa.
Diante disso, o dólar à vista exibiu desvalorização de 0,90%, a R$ 4,9930, depois de ter tocado a mínima de R$ 4,9878 e batido na máxima de R$ 5,0558. Na semana, o dólar à vista teve queda de 1,57%. Já o euro comercial caiu 1,10%, a R$ 5,5892, tendo acumulado depreciação de 1,97% na semana. No exterior, perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,20%, aos 101,811 pontos.
O dólar hoje chegou a tentar uma direção algumas vezes, mas acabou voltando para perto da estabilidade em toda a parte da manhã e começo da tarde. Perto das 14h40, porém, houve uma melhora intensa nos mercados locais, em meio a relatos sobre trackings mais favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro.
Estrategistas do Wells Fargo dizem, em nota, que o cenário-base do banco é de vitória de Flávio no domingo. “É matematicamente muito difícil para o presidente Lula recuperar a diferença, seja atraindo os eleitores dos candidatos de terceira via, seja aumentando o comparecimento às urnas. Atualmente, estimamos em cerca de 33% as chances de vitória de Lula.”
Por conta disso, o banco diz estar vendido em dólar contra o real (aposta a favor da moeda brasileira) e aplicado em duration nos juros locais, com posições equivalentes à metade do tamanho original, após realizar lucros logo depois do primeiro turno. “Acreditamos que há bastante valor em ambas as posições, mas reduzimos taticamente a exposição em 5 de outubro, após a forte valorização dos ativos brasileiros no pós-eleição.”
O banco diz ver o dólar a R$ 4,75, caso Flávio vença, mas a R$ 5,30, caso Lula ganhe a disputa. “É importante destacar que, em caso de uma vitória surpreendente de Lula, recomendaríamos enfaticamente posições compradas em real e posições aplicadas em juros, caso as taxas atingissem níveis superiores aos indicados acima. Por exemplo, qualquer disparada do dólar acima de R$ 5,30 na segunda-feira representaria, em nossa avaliação, uma oportunidade para aumentar a posição comprada em real.”
Essa leitura se baseia no fato de que os estrategistas veem os fundamentos dos ativos brasileiros como favoráveis mesmo sob um governo Lula, levando em consideração as contas fiscais e externas, além do carry ainda elevado. “Acreditamos que o resultado do primeiro turno também oferece sustentação adicional aos ativos locais, diante do forte avanço dos partidos de direita. Na verdade, em caso de uma vitória inesperada de Lula, esperamos algumas sinalizações favoráveis ao mercado por parte de seu governo, especialmente no sentido de conter os gastos e ajustar a política fiscal.”
Mas nem todo mundo manteve o trade a favor do real. Estrategistas do HSBC apontaram que encerraram a posição comprada em real contra o peso mexicano. “A recente queda do peso mexicano ampliou ainda mais o retorno da operação, enquanto as pesquisas eleitorais para o segundo turno da eleição presidencial brasileira se tornaram mais apertadas. Os dois candidatos estão agora, na prática, em um empate estatístico nas pesquisas, e o número de eleitores indecisos aumentou. Isso elevou a incerteza em torno do resultado do segundo turno no Brasil e da consequente reação dos mercados.”
O banco diz ver assimetria nos resultados, com potencial de queda maior para o real caso o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença, diante de suas recentes promessas de concessão de benefícios fiscais, enquanto o potencial de valorização do real pode ser mais limitado caso Flávio Bolsonaro (PL) vença, por dois motivos, segundo o banco. “Primeiro, o senador da oposição já é considerado favorito à vitória pelos mercados de apostas [proibidos no Brasil]. Acreditamos que essas probabilidades ainda não refletem totalmente o crescente impulso de Lula nas pesquisas mais recentes, nem os possíveis efeitos de suas diversas iniciativas legislativas de última hora e do reforço nos pagamentos de benefícios em dinheiro para conquistar apoio dos eleitores.”
“Segundo, ainda há dúvidas sobre as possíveis escolhas de Flávio Bolsonaro para seu gabinete e, em particular, sobre o grau de determinação com que ele poderia — ou estaria disposto a — conduzir os esforços de consolidação fiscal, caso venha a fazê-lo”, afirmam.

Com informações de: Valor Econômico

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