Ibovespa avança 1,6% impulsionado por bancos e com eleição no radar

Ibovespa avança 1,6% impulsionado por bancos e com eleição no radar

Desde o início dos negócios desta terça-feira, o Ibovespa adotou um movimento positivo, impulsionado pela alta mais forte de ações de bancos. Investidores também reagiram positivamente a algumas pesquisas de intenção de voto que mostraram um leve aumento da vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda que boa parte dos levantamentos continue a apontar uma redução da diferença entre ambos.
Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a tocar os 208.942 pontos, mas o índice perdeu força ao longo da tarde. Ainda assim, a principal referência acionária local encerrou a sessão em alta de 1,57%, aos 208.296 pontos.
A perda de tração do índice foi alimentada pela notícia de que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu, ao menos, R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, sendo que metade delas foi emitida para pagamento por outros advogados, segundo apuração do UOL.
De acordo com o site, o escritório teria sido aberto em 2021 e teria como administradora Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis, preso em 2025 por suspeita de participação nas fraudes no INSS.
Ainda assim, a reação à notícia no mercado acionário foi contida, diante da valorização expressiva de blue chips de bancos, que subiram em bloco. A maior alta ficou para as units do BTG Pactual, que ganharam 4,36%.
O dia também foi de ganhos para as ações da Petrobras. No fim, as PN da petroleira exibiram valorização de 0,36%, enquanto as ON avançaram 0,48%. Já as ON da Vale cederam 1,39%.
Embora acredite que uma eventual virada de Lula no segundo turno seja “matematicamente difícil”, o sócio e gestor da Norte Asset Management, Rafael Furlan, diz que a casa adicionou recentemente proteção à carteira, ao comprar opções de venda (put) em small caps (empresas de menor valor de mercado). “Em vez de reduzir a posição comprada em bolsa local, fizemos essa proteção”, resume.
“O nosso cenário-base continua a ser uma vitória do Flávio, mas montamos a posição em ‘puts’ como um seguro. O governo teve várias vitórias recentemente com a [escala] 6×1, com a antecipação do Bolsa Família, e quem recebe já perceberá o efeito disso agora no bolso. Também tivemos pesquisas mais apertadas”, acrescenta Furlan.
Ainda que Flávio não tenha detalhado como será a política fiscal de seu eventual governo, o sócio da Norte diz que o mercado deve viver um período de euforia, mas que a realidade será mais dura em 2027.
“Até o fim deste ano tem a lua de mel, mas ano que vem a realidade chega e entenderemos até que nível o juro vai. 2027 não será fácil, porém, se a curva [futura] conseguir se acomodar em cerca de 200 bps [2 pontos-base], poderemos ver um fluxo grande de estrangeiros para o Brasil”, avalia o executivo.
Entre as maiores altas no pregão ficaram os papéis da Magazine Luiza, que subiram 14,79%, após o Citi elevar a recomendação do papel de neutra para compra e o preço-alvo de R$ 6 para R$ 14.
O banco revisou as premissas de custo de capital do setor de varejo utilizado em seus modelos, refletindo a melhora da percepção de risco dos investidores após o rali das ações domésticas, que subiram 18% desde a divulgação dos resultados do primeiro turno eleitoral. Diante do novo cenário, os analistas João Pedro Soares e Felipe Husein elevaram as recomendações de Magazine Luiza e Azzas 2154 de neutro para compra e a de Natura de venda para neutro.
Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 29,1 bilhões, alcançando R$ 41,9 bilhões na B3. Já em Wall Street, o Dow Jones ganhou 1,02%; o S&P 500 teve alta de 0,28%; e o Nasdaq encerrou estável (-0,02%).

Com informações de: Valor Econômico

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