Depois de subir logo após a abertura dos negócios, a bolsa local mudou de direção ainda no fim da manhã, diante da queda mais intensa das ações da Petrobras. Ao longo da tarde, o Ibovespa ainda chegou a oscilar entre perdas e ganhos, mas depois se firmou em queda perto do fechamento, com o recuo mais intenso dos papéis da estatal. Assim, o índice terminou com baixa de 0,17%, aos 205.079 pontos, após variar entre os 204.269 pontos e os 207.388 pontos.
Investidores seguiram atentos ao segundo turno das eleições, após o primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na TV Band, que foi marcado por mais trocas de acusações do que por propostas para os próximos quatro anos. Além disso, agentes financeiros monitoraram pesquisas eleitorais que mostraram o senador à frente, embora com uma vantagem menor sobre o presidente.
A queda das ações da Petrobras ajudou a limitar um movimento mais positivo do Ibovespa no pregão. No fim, as PN da petroleira cederam 2,82%, ao passo que as ON exibiram baixa de 2,93%, em um dia em que os preços do petróleo encerraram com leve desvalorização.
Embora as ações da Petrobras tenham recuado hoje, a estatal segue como a opção preferida dos investidores baseados nos Estados Unidos para exposição ao setor brasileiro de petróleo e gás, na avaliação do BTG Pactual. Após reuniões com agentes do mercado nos últimos dias, os analistas do banco ressaltaram que o sentimento em relação à empresa, em geral, permanece positivo.
Com foco nas eleições, os investidores discutiram os possíveis impactos do resultado sobre a estatal, sobretudo na política de preços dos combustíveis, na alocação de capital e no portfólio de ativos. Em caso de alternância de poder, os principais benefícios viriam de uma eventual redução do custo de capital próprio e de uma melhora na percepção do mercado, mais do que de uma mudança significativa na direção estratégica, segundo os analistas.
Já as ações da Vale fecharam com leve valorização de 0,23%, enquanto os bancos terminaram majoritariamente no negativo, com exceção das units do BTG Pactual e das ON do Banco do Brasil, que subiram 2,02% e 1,35%, respectivamente.
Ainda que o mercado tenha monitorado uma série de análises feitas sobre a postura dos candidatos no debate presidencial de ontem, a percepção é de que o confronto não teve influência sobre os preços dos ativos locais, na visão do estrategista-chefe da Monte Bravo, Rai Chicoli. Para ele, não houve um vencedor claro, e o foco nas acusações tende mais a desengajar o eleitor indeciso do que o contrário, o que tende a limitar seu efeito sobre eventuais mudanças nas intenções de voto.
“Acho que a entrevista de sábado à noite [com a lobista Roberta Luchsinger] pode ter mais impacto, mas, para ter maior certeza disso, o mercado vai aguardar as pesquisas corroborarem ou não se houve impacto”, afirma Chicoli.
Em entrevista à CNN, Luchsinger levantou suspeitas contra o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ambos são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que apuram se os dois cometeram tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro em órgãos do governo federal para beneficiar empresários no esquema de fraudes bilionárias no INSS.
Chicoli também lembra que os levantamentos eleitorais divulgados hoje foram realizados até domingo (18) e que, por isso, ainda não captaram plenamente os efeitos da entrevista e do debate. “Acredito que vamos ter mais uma semana dependente das próximas pesquisas para dar um rumo ao mercado”, completa.
Outros participantes do mercado ouvidos pelo Valor concordam que debates dificilmente mudariam votos. Segundo as fontes, cada candidato fala para sua “bolha” e está mais preocupado em fazer cortes para as redes sociais do que apresentar propostas, o que dificilmente mudaria a opinião de algum eleitor indeciso.
Enquanto a bolsa local terminou o dia em queda, os principais índices acionários americanos fecharam mistos: o Nasdaq subiu 1,11%, o S&P 500 avançou 0,41%, enquanto o Dow Jones terminou estável (-0,07%).
Hoje, o volume financeiro negociado no Ibovespa foi de R$ 21,6 bilhões e de R$ 31,5 bilhões na B3.
Com informações de: Valor Econômico










