Listas que incentivam boicotes a empresas e profissionais por suposto posicionamento político voltaram a circular em grupos de WhatsApp de Rio Preto, nesta terça-feira (27), após o segundo turno das eleições presidenciais. O material reúne estabelecimentos de diferentes setores e profissionais liberais, cujas posições políticas são atribuídas pelos responsáveis pela divulgação.
Entre os segmentos citados estão restaurantes de alto padrão nas regiões da Redentora e do Jardim Aclimação, lojas de roupas esportivas e de grife, salões de beleza, bancos, lojas de departamentos e móveis, comércios de acabamentos e decoração, postos de combustíveis, óticas e casas noturnas. A relação também inclui médicos, arquitetos e dentistas.
Entre os nomes mencionados está o da médica Regina Chueire, especialista em fisiatria e ex-vereadora de Rio Preto, filiada ao PSOL. A presença de pessoas e estabelecimentos na lista, por si só, não comprova o posicionamento político atribuído a eles.
Reação contra possíveis casos de discriminação
Em resposta à circulação do material, eleitores de esquerda passaram a defender a reunião de provas sobre possíveis episódios de discriminação política e xenofobia. Uma mensagem compartilhada sobre o assunto afirma que nordestinos, nortistas, integrantes da comunidade LGBTQIA+ e outras minorias estariam sendo alvo de ataques por terem votado contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
O texto também relata que empresários estariam defendendo a demissão de trabalhadores por suas posições políticas. O autor da mensagem afirma ter criado um grupo de WhatsApp para reunir registros e encaminhá-los ao Ministério Público, com o objetivo de pedir a apuração dos fatos.
“Não podemos nos calar diante do preconceito, da discriminação e das tentativas de perseguição por motivos de origem, orientação sexual ou posicionamento político”, diz o texto.
A existência das listas e das mensagens, contudo, não permite concluir que todas as acusações sejam verdadeiras nem que os envolvidos tenham cometido irregularidades. Eventuais responsabilidades dependem da análise do conteúdo divulgado e das circunstâncias de cada caso.
Episódio já ocorreu em Rio Preto
A circulação de listas de boicote político não é inédita na cidade. Em novembro de 2022, grupos ligados à direita divulgaram relações com nomes de médicos, restaurantes, bares, salões de beleza e prestadores de serviços que seriam apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ocasião, a Associação Paulista de Medicina – Regional de Rio Preto manifestou solidariedade aos médicos citados.
Após o segundo turno deste ano, relatos de iniciativas semelhantes também surgiram em outros municípios do interior paulista, incluindo Tanabi, onde mensagens compartilhadas em grupos incentivavam o boicote a comerciantes associados ao campo político de Lula.
Com informações de: Gazeta de Rio Preto










