Entidades sociais de Jales voltaram a se manifestar publicamente no fim da noite desta terça-feira (23) e ao longo desta quarta-feira (24), após declarações do prefeito Luiz Henrique Moreira, que classificou como “mentirosas” as instituições que cobraram o cumprimento de repasses financeiros por parte da Prefeitura.
Em nota intitulada “Nota de Esclarecimento pela preservação da verdade”, a Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente de Jales (AACAJ) esclareceu que a única motivação da entidade é garantir a continuidade dos serviços prestados a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, rechaçando qualquer acusação de politicagem.
Segundo a AACAJ, no mês de dezembro foi repassado pelo Executivo municipal o valor de R$ 19.623,00, em 12 de dezembro de 2025. No entanto, de acordo com o plano de trabalho firmado com a Prefeitura, ainda restam R$ 87.882,06 a serem pagos à entidade. A informação contrasta com a fala do prefeito, que afirmou publicamente que as entidades teriam recebido “menos de R$ 40 mil”, sem detalhar os valores efetivamente pactuados e pendentes.
A entidade afirma que a ausência do repasse integral compromete diretamente seu funcionamento, já que atua com recursos limitados e depende da regularidade dos pagamentos públicos para manter suas atividades. A AACAJ reforça que a manifestação pública teve como único objetivo esclarecer os fatos, preservar a verdade e cobrar a regularização dos valores acordados.
Já a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Jales (APAE) também divulgou nota oficial rebatendo as declarações do prefeito. No comunicado, a entidade afirma que são falsas as informações divulgadas pelo chefe do Executivo de que a instituição estaria mentindo ao alegar atrasos nos repasses.
De acordo com a APAE, o município possui um débito total de R$ 380.228,36 com a entidade. A nota esclarece que, embora tenham ocorrido repasses recentes — como R$ 49.878,15 no dia 11 de dezembro, referentes a serviços sociais e de saúde, e R$ 200 mil no dia 18 de dezembro oriundos de emenda parlamentar federal — esses valores não quitam a totalidade da dívida municipal.
A APAE ressalta que a emenda parlamentar não pode ser contabilizada como pagamento de obrigação direta da Prefeitura, uma vez que se trata de recurso externo que apenas transitou pelos cofres municipais antes de ser repassado à entidade.
No documento, a APAE reafirma seu compromisso com a verdade, a transparência e a ética, lamenta a disseminação de informações que, segundo a entidade, geram desinformação e maculam sua imagem institucional, e destaca seu caráter apartidário. A instituição também orienta a população e a imprensa a considerarem apenas seus canais oficiais de comunicação para informações fidedignas.
As manifestações das entidades ocorrem em meio a uma sequência de embates públicos envolvendo o Executivo municipal, a Câmara de Vereadores e organizações sociais, após a aprovação da revogação de dispositivo legal que condicionava novos parcelamentos previdenciários ao equilíbrio financeiro do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).
Até o momento, a Prefeitura de Jales não divulgou nota oficial respondendo especificamente aos esclarecimentos apresentados pela AACAJ e pela APAE.












