A rejeição do Requerimento nº 38/2026 pela Câmara Municipal de Jales, nesta segunda-feira (06), revela mais do que um resultado de votação. Expõe uma escolha política sobre o que deve ou não ser prioridade.
Diferente do que foi propagado após a sessão, a proposta da vereadora Franciele Cristina Villa Matos não previa criação de programa, não autorizava compra de medicamentos e não gerava qualquer despesa imediata aos cofres públicos. O conteúdo é objetivo: trata-se de um pedido formal de informações ao Executivo.
O requerimento questiona se o município possui levantamento atualizado sobre a população com obesidade e obesidade mórbida, quais tratamentos já são ofertados, qual a efetividade dessas ações e se há estudos ou planejamento sobre alternativas mais recentes, como o uso de medicamentos específicos.
Na prática, o que estava em discussão era o básico da gestão pública. Ter dados antes de tomar decisões.
A crítica de que a proposta seria irregular por gerar custos não encontra respaldo no texto. Não há imposição de política pública, apenas solicitação de informações. É um instrumento legítimo de fiscalização e planejamento dentro da função do Legislativo.
Sem diagnóstico, não há política eficiente. Sem números, não há gestão.
A votação terminou com seis votos contrários e três favoráveis. Votaram contra os vereadores da base aliada do prefeito Andrea Moretto, Elder Mansueli, Fábio Kazuto, Deley Vieira, Eliane Miranda e Rivelino Rodrigues.
O argumento fiscal, no entanto, aparece de forma seletiva. Questiona-se um possível custo futuro na área da saúde, mas não se observa o mesmo rigor quando o município direciona quase R$ 3 milhões para shows e eventos.
A escolha de onde gastar revela prioridades.
Investir em saúde pública não é despesa dispensável. É estratégia. A obesidade, como apontado no próprio requerimento, está associada a doenças como diabetes, hipertensão e outras complicações graves que aumentam a pressão sobre o sistema de saúde.
Ignorar o problema não reduz custo. Apenas adia.
Ao rejeitar o requerimento, a Câmara não barrou um projeto oneroso. Interrompeu uma etapa anterior, que é a construção de uma base técnica para entender a dimensão do problema no município.
No fim, a decisão não foi sobre dinheiro. Foi sobre informação.










