Na última sessão da Câmara de Jales, vereadores da oposição pediram a atualização do Código Tributário Municipal, o prefeito atendeu e enviou o projeto em regime de urgência. A pressa, no entanto, gerou dilema: aprovar sem tempo hábil de análise ou se expor politicamente.
O vereador Hilton Marques criticou a condução: “Esse projeto tem 435 artigos, mais de 120 páginas. É humanamente impossível fazer uma apreciação pontual nesse prazo.”
Em rodas de boteco, o episódio ganhou até apelido popular: “Gambito do Quico”. Para quem não é familiarizado com o xadrez, o gambito é a jogada em que se sacrifica uma peça logo no início para tentar ganhar vantagem mais adiante. A comparação foi feita justamente para criticar a manobra política: o projeto gigante e enviado às pressas funcionou como um “sacrifício calculado” do Executivo, feito não para resolver o problema real, mas para tentar expor a oposição como contraditória.
Críticos apontam que a tática transformou a oposição em alvo de sua própria estratégia: forçada a tomar uma decisão sem debate aprofundado, a base governista pôde apresentar a narrativa de que os adversários eram contraditórios, quando, na verdade, se abstiveram por responsabilidade legislativa.
Com mais de 120 páginas e 435 artigos, o projeto é humanamente impossível de ser analisado rapidamente. Detalhes como a equiparação de pequenos mercados a grandes redes e o aumento do ITBI — de 2% para 3% — exigem estudo, algo inviável diante da pressa imposta pelo Executivo.
“Quando tudo é urgência, nada é urgente. Essa máxima aplicada ao Executivo de Jales explica bem o dilema da sessão: o projeto gigante chegou às pressas, sem tempo para análise detalhada, forçando a oposição a decidir rapidamente, sob risco de parecer contraditória. Se o objetivo fosse debater com qualidade, não haveria necessidade de urgência constante.”
“Mais que estratégia política, a pressa revela incompetência. Entregar projetos de mais de 120 páginas sem debate adequado não é só tática de poder, é sinal de gestão que sacrifica análise e responsabilidade em nome da velocidade. A população paga o preço, e o Legislativo é colocado em posição desconfortável.”
No fim, o projeto foi aprovado por 7 a 3, mas o episódio deixou evidente que a pressa constante na tramitação legislativa fragiliza o debate público e transforma a Câmara em palco para estratégias políticas, em vez de espaço de análise responsável.










