O volume líquido de gases de efeito estufa liberado no Brasil totalizou 1,41 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e) em 2025. O índice representa uma retração de 9% em comparação com as 1,489 bilhão registradas em 2024, consolidando a taxa mais baixa verificada no país em mais de uma década.
Ao desconsiderar a capacidade de retenção de carbono proporcionada pelas unidades de conservação e pela regeneração da vegetação secundária, o total de emissões brutas somou 2,06 GtCO2e no período. A redução foi de 6% frente aos 2,19 GtCO2e de 2024, marcando a medição bruta mais favorável desde 2018. O levantamento integra a 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), relatório elaborado pelo Observatório do Clima.
Segundo análise de David Tsai, coordenador do Seeg e pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), os dados atestam um corte de um quarto nas descargas brutas nacionais no intervalo de quatro anos. “É um feito digno de nota, dado que nos 13 anos anteriores, desde que publicou sua Política Nacional do Clima em 2009, o país viu suas emissões crescerem em dois terços”, comemora.
Queda no desmatamento puxa recuo recorde
A retração nos números globais de 2025 decorre diretamente do combate à supressão de cobertura vegetal nativa, categoria contabilizada no levantamento como mudança de uso da terra. Nessa divisão, as emissões brutas caíram 15%, saindo de 957 MtCO2e em 2024 para 814 MtCO2e.
Já no cálculo das taxas líquidas associadas ao uso da terra, a contração foi ainda mais expressiva: um recuo de 48%, despencando de 311 MtCO2e para 162 MtCO2e. Trata-se do índice mais reduzido do segmento em toda a série histórica do Seeg.
Comportamento e peso das principais atividades econômicas
Diferentemente da expressiva queda ligada ao desmatamento, as demais atividades produtivas exibiram poucas oscilações em seus balanços de emissão ao longo do ano:
O segmento de resíduos computou o avanço mais acentuado, com elevação de 3,6% (passando de 92 MtCO2e para 96 MtCO2e). A área de energia registrou alta de 1,2%, alcançando 427 MtCO2e contra 422 MtCO2e do ano anterior. O setor de processos industriais e uso de produtos oscilou 0,2% para cima, totalizando 94 MtCO2e, enquanto a agropecuária marcou leve retração de 0,1%, com 626 MtCO2e brutos lançados na atmosfera.
Na divisão da matriz bruta total, a alteração de uso da terra respondeu por 39%, acompanhada pelas emissões diretas agropecuárias (30%), energia (21%), e processos industriais e descarte de resíduos, ambos com 5% de participação. O peso somado dos fatores diretos e indiretos vinculados ao agronegócio mantém a atividade como a principal fonte emissora no panorama brasileiro.
Distância das metas climáticas e compromissos para 2030
Com os resultados observados, a trajetória ambiental brasileira ficou a uma margem de apenas 85 milhões de toneladas de atingir o teto estipulado na primeira Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), firmada em 2015. A diretriz projetava fechar 2025 com limite máximo de 1,32 GtCO2e líquidos.
“Infelizmente a gente ficou ainda um pouco acima, mas bem próximo da meta. Em 2030, tem uma meta mais baixa, mas em 2026 a gente vai estar entre a meta de 2025 e a de 2030 “, avalia David Tsai.
Estimativas preliminares indicam que o setor florestal pode registrar saldo líquido negativo de 24 MtCO2e neste ciclo, impulsionado por retrações expressivas na devastação do Cerrado e da Amazônia. O cenário servirá de base para a segunda NDC do Brasil, que busca rebaixar os lançamentos de gases estufa para a faixa de 850 milhões a 1,05 bilhão de toneladas de CO2e até 2030.
Contudo, o especialista reforça que a sustentabilidade da curva dependerá de um esforço compartilhado entre os demais elos da economia. “É uma grande vitória a queda das emissões pelo desmatamento, mas se os outros setores, a partir de agora, não começarem a reduzir as suas emissões vai ficar difícil a gente conseguir cumprir as próximas metas da NDC”, alerta David Tsai.
Com informações de: Região Noroeste










