O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, fez um alerta enfático sobre a preservação do regime democrático ao afirmar que o Estado Democrático de Direito necessita de “lealdade às regras do jogo, inclusive por parte de quem perde”. O posicionamento ocorreu nesta quarta-feira (21), durante a cerimônia de abertura de um seminário promovido na sede da própria Corte a respeito das atribuições dos tribunais constitucionais.
Alertas sobre a erosão silenciosa das instituições
A manifestação de Fachin acontece a quatro dias da votação do segundo turno presidencial, agendada para o próximo domingo (25). No discurso, o magistrado observou que os regimes democráticos atuais raramente sucumbem diante de rupturas repentinas. Na avaliação do ministro, a deterioração ocorre por vias internas e disfarçadas sob um manto de legalidade: “pela captura gradual das instituições, pelo enfraquecimento dos controles, pela erosão da confiança pública”.
Para o presidente do STF, a defesa do sistema representativo exige vigília ininterrupta. Segundo Fachin, “a consolidação democrática nunca é um ponto de chegada que, uma vez ultrapassado, está definitivamente conquistado; é uma tarefa permanente, que depende de instituições capazes de resistir e de uma cidadania disposta a defendê-las”.
Polarização e cumprimento das decisões da Justiça
Fachin também abordou o impacto do acirramento político no debate público. De acordo com o magistrado, o pleno funcionamento democrático requer conformidade com determinações judiciais fundamentadas tecnicamente, pontuando que, em cenários polarizados, deliberações legítimas acabam sendo “reduzidas e instrumentalizadas por slogans”.
Tensões internas e impacto na corrida presidencial
A fala do presidente do tribunal surge em uma conjuntura de atrito institucional inédito no STF. O colegiado enfrenta desgaste motivado por trocas de acusações entre os próprios ministros no âmbito das investigações do caso do Banco Master, processo que investiga fraudes bilionárias no sistema financeiro e suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos.
O ambiente de crise interna na mais alta instância do Judiciário acabou incorporado aos discursos de campanha na reta final da disputa eleitoral, fazendo com que os concorrentes à Presidência da República incluíssem em suas plataformas promessas de reformas na estrutura do STF.
Com informações de: Região Noroeste










